sexta-feira, 6 de maio de 2011

Excesso de velocidade.

Aperte o cinto. Veículos em excesso de velocidade. E não, essa crônica não fala de trânsito, carros, estradas ou qualquer coisa do tipo.

Mas, na dúvida, segura o “puta-que-o-pariu” que a velocidade é pra lá de excessiva. E quem vem pisando fundo, com toda irresponsabilidade, são os veículos de comunicação.

A qualidade da informação quase não importa mais. Importante é dar o furo, é ser o primeiro. Mesmo que precise desmentir depois. Mesmo que precise revisar depois. Mesmo que deixe para o leitor revisar o texto e avisar nos comentários. A qualidade do conteúdo vive dias de Rubinho, ficou pra trás. Falar bem não interessa, interessa falar primeiro.

Ligeirinho, papa-léguas e schummacher seriam bons editores-chefe para as redações dos dias de hoje, que competem sem parar nessa corrida maluca pelo furo de reportagem. E irônicamente, vez ou outra perdem para o próprio leitor, que virou repórter freela no twiter, facebook e etc. É o jornalismo 2.0 lembrando um Opalão 4.1 sem freio. E sem saber para onde ir.

A cada F5, notícias novas, minuto a minuto. Haja pauta.

Até a morte (ou assassinato) de Bin Laden, um dos fatos mais importantes da história moderna junto aos atentados de 11 de setembro, acabou banalizado.

Você provavelmente soube da morte do Osama no domingo à noite. Curioso, foi para a internet e ligou a tv para acompanhar melhor. Acessou seu portal favorito, enquanto um especialista em invasão de mansões paquistanesas falava ao vivo na tv. No portal, manchete no topo da página. Você lê, mas a notícia é vazia, afinal, ainda não deu tempo de apurarem o fato direito.

Seu dedo corre, vai no F5… opa! Notícia atualizada. Obama vai discursar em breve, você desvia o olhar para a tv, o especialista em invasão de mansões paquistanesas se foi, o papo agora é com o correspondente em washington, cobrindo os preparativos para o discurso do rei. É pouco, você quer mais.

Novo F5 e agora você vê um infográfico completo, contando inclusive alguns detalhes da operação que provavelmente nem o Obama sabia ainda, pois nessa hora ele estava sendo maquiado para entrar no ar. É aqui, neste ponto, que atingimos o limite de velocidade. O que vier em seguida é irresponsável, é irrelevante, é desnecessário. Nem precisa pisar no freio, basta manter a velocidade média. Mas só quem já guiou um opalão 4.1 sabe a tentação de pisar fundo naquele acelerador. E é aí que mora o perigo.

Novo F5. Matéria com criança da vizinhança sendo entrevistada porque ganhou alguns coelhos da familia de Osama. Mais um F5 e vem a pérola, a 200 km por hora: “Osama gostava de futebol e era tranquilo em campo, garante um amigo de infância”. Hora de dormir. Até porque você ter que vai acordar com um especialista em moda militar fashion discutindo o uniforme do Team 6 da Seals. Totalmente out, por sinal.

Excedemos o limite de velocidade de tal forma que chega a dar saudade dos tempos em que eu aguardava ansiosamente a banca de jornal abrir pela manhã para ler a cobertura do jogo do meu time no dia anterior.

O casamento real foi um exemplo. Tinha até especialista em Abadia comentando o casamento ao vivo, em rede nacional. Estamos nos acostumando a todo tipo de futilidade. E o pior, tem gente adorando.

A velocidade exige um volume maior de notícias. E um volume maior de notícias gera pautas desnecessárias, para não dizer ridículas.

E vamos de fã de Luan Santana comentando eliminação de BBB ao milésimo flagra da Nana Gouveia pagando peitinho na praia, na home dos grandes portais.

Porra, ultimamente ando vendo mais o peito da Nana Gouveia que o da minha própria esposa. E isso me fez pensar, me deu vontade de fugir para uma aldeia indígena. Lá, pelo menos, os peitinhos eu verei ao vivo.

1 comentários:

teta disse...

Dukaralho. Amei! bjs, téta.