sexta-feira, 3 de junho de 2011

Flagrante de delito.

- Bonito hein, seu Ferreira?

- Putz, a polícia!

- Transgredindo de novo hein?

- Foi mal, chefia.

- É a segunda vez só essa semana.

- Já pedi desculpa, pô.

- Não tem jeito, vou cortar teu semi-aberto.

- Mas eu não fiz nada.

- Recebi uma denúncia anônima que o senhor estava neste bar.

- E qual é o problema? O Delito? A transgressão?

- O senhor é dado como foragido, Ferreira. Desde ontem à noite.

- Só estou tomando uma gelada com o Dedé e o Patola, tudo na paz. Sem fugir de ninguém.

- Melhor o senhor me acompanhar.

- Peraê, que mal tem nisso?

- O senhor não vai gostar que eu o tire à força daqui, vai?

- Mas o que eu fiz de errado?

- Só lembrando que o senhor tem o direito de permanecer calado.

- Eu tô calado, eu quero é que você fale, me explique o que eu fiz de errado.

- É a última vez que falo, então pelo seu próprio bem e pela sua integridade física, peço que me acompanhe, Ferreira.

- Não, só se me disser o que eu fiz errado.

- O senhor tem família, Ferreira. Tem filhos. É esse o exemplo que quer dar pra eles?

- Mas o que foi que eu fiz, meu Deus???

- PORRA FERREIRA, JÁ PRA CASA, CARALHO. E CALADINHO!

- Tá bom, meu bem, tá bom. Tá bom... mas pega leve né? Eu tenho meus direitos.

Depois que casou com a delegada, Ferreira não saiu mais da prisão.

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