- Tchau, pai.
- Onde você vai assim, Ricardo?
- Ih, lá vem você com esse papo furado.
- Sou seu pai.
- Vou encontrar a Dani, a gente vai no cinema.
- E você vai assim?
- O que é que tem?
- Meu filho, isso não é roupa de sair com a namorada, né? Convenhamos.
- Qual é pai, relaxa.
- E esse cabelo aí?
- Qual é pai, tá penteadinho.
- E o brinco?
- Para com isso pai, você sabe que eu não gosto.
- E os piercings? Na sobrancelha, no nariz…
- Já falei que não gosto disso pai. A vida é minha.
- Bota uma camisa melhorzinha então, mais leve, colorida.
- Qual é pai? Desde quando eu ligo pra isso?
- Você pode não ligar, mas as pessoas ligam, filho. E falam.
- Tô nem aí.
- Mas eu sou seu pai e eu estou aí, sim.
- Deixa eu ir que eu tô atrasado, velho.
- Se você quer ir assim, vai. Mas se ficar mal falado depois, não reclama.
- Que mal falado o quê, pai? O mundo muda, não estamos mais na sua época.
- Por isso mesmo.
- Ó, tô indo tá?
- Vai. Mas com esse terno, essa barba feita, esse sapato brilhando, sem um piercing ou uma tatuagem sequer, é minha obrigacão de pai dizer que você está parecendo um bandido, um delinquente, um marginal. Aliás, vestido assim você tá parecendo o ACM Neto.
- Tá bom pai, tá bom. Vou colocar um jeans.
- Rasgado, né?
- E uma camiseta.
- Se quiser uma dos Sex Pistols, eu empresto.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
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